Golpe da Falsa Entrega e Taxa de Cartão: 3 Passos para Evitar o Prejuízo

O golpe da falsa entrega é uma das fraudes presenciais mais perigosas das grandes cidades brasileiras e já se espalhou por todas as capitais do país. Dados do Procon-SP registraram um aumento de 40% nas denúncias de golpes envolvendo maquininhas adulteradas e falsos entregadores entre 2023 e 2024, com prejuízos individuais que variam de R$ 1.000 a R$ 15.000 por vítima. Nesse esquema, o criminoso se passa por entregador de e-commerce ou delivery e alega que há uma taxa de entrega ou presente surpresa que precisa ser pago presencialmente com cartão. A maquininha de cartão, porém, está adulterada: o visor mostra um valor baixo (R$ 5,00), mas o sistema cobra R$ 5.000,00 ou mais. Em outros casos, o aparelho captura os dados do cartão e a senha para clonagem posterior. Neste artigo, você vai entender como essa armadilha funciona e aprender 3 passos práticos para se proteger contra o golpe da falsa entrega.

golpe da falsa entrega

Como Funciona o Golpe da Falsa Entrega?

O golpe geralmente começa com um telefonema ou uma mensagem de WhatsApp. O golpista finge ser funcionário de uma empresa de logística, loja de departamento ou serviço de delivery famosa (como iFood ou Rappi). Ele informa que há uma entrega para você — muitas vezes alegando que é um presente de aniversário enviado por um amigo ou uma compra antiga que não pôde ser entregue.

No entanto, o suposto entregador afirma que há uma “taxa de conveniência” ou “taxa de reentrega” com valor muito baixo (geralmente entre R$ 3,00 e R$ 7,00) que precisa ser paga obrigatoriamente em uma maquininha de cartão no momento da entrega. É aí que reside o perigo do golpe da falsa entrega: quando o motoboy chega à sua residência, a maquininha está adulterada. O visor pode estar quebrado, apagado ou exibindo o valor correto de R$ 5,00, mas no sistema interno o criminoso digita R$ 5.000,00 ou R$ 3.000,00. Em outros casos, o dispositivo é utilizado para capturar os dados do cartão e a senha digitada pelo cliente para posterior clonagem.

Tabela: Como Agir Frente ao Entregador — Legítimo vs. Suspeito

Situação Entregador Legítimo Entregador Golpista (Sinais de Alerta)
Identificação Uniforme da empresa, crachá e app de rastreamento vinculado Sem uniforme, sem crachá, sem vínculo com plataforma de entrega
Aviso prévio Entrega agendada ou rastreável pelo app da loja/plataforma Contato inesperado por WhatsApp ou ligação de número desconhecido
Cobrança de taxa Frete já incluso no pedido; sem cobrança adicional presencial Exige “taxa de reentrega” ou “taxa de conveniência” no local
Maquininha de cartão Visor legível e funcionando; mostra valor exato antes da digitação da senha Visor quebrado, apagado, coberto por fita ou com brilho reduzido
Tentativas repetidas Uma única passagem do cartão é suficiente Alega “erro na máquina” e pede para passar o cartão várias vezes
Comprovante Emite comprovante impresso com valor correto na hora Não emite comprovante ou alega que “a impressora está sem papel”

3 Passos Essenciais para Evitar o Golpe da Falsa Entrega

Para não se tornar mais uma vítima dessa armadilha cotidiana, adote estes três passos fundamentais de segurança no seu dia a dia:

Passo 1: Nunca Aceite Entregas de Presentes Não Identificados

Se um entregador aparecer na sua residência trazendo flores, chocolates ou eletrônicos alegando ser um presente surpresa, recuse o recebimento caso a pessoa não consiga provar quem enviou ou se houver qualquer exigência de pagamento de taxa. Empresas legítimas de presentes cobram o remetente de forma integral no momento da compra e nunca exigem taxas adicionais do destinatário na hora da entrega.

Passo 2: Desconfie de Visores Danificados ou Cobranças Extras

Se você precisar pagar uma taxa de entrega presencial, preste atenção máxima à maquininha de cartão do entregador. Se o visor estiver quebrado, obstruído por fitas adesivas ou se o entregador se recusar a mostrar a tela, interrompa o pagamento imediatamente. Outra tática muito usada no golpe da falsa entrega é alegar que o sinal da internet está fraco e que é necessário passar o cartão várias vezes em aparelhos diferentes, gerando múltiplas cobranças.

Passo 3: Utilize Cartões Virtuais e Monitore as Notificações do Banco

Ao fazer compras em aplicativos de delivery, sempre realize o pagamento diretamente dentro da plataforma digital. Evite pagar na maquininha do entregador. Se for inevitável, dê preferência ao pagamento via Pix (escaneando o código gerado no aplicativo oficial do banco) ou utilize um cartão virtual de uso único configurado com limite baixo. Mantenha as notificações push do seu aplicativo bancário sempre ativas para verificar o valor exato debitado em tempo real.

Caso você perceba que caiu no golpe da falsa entrega e detecte uma transação suspeita no extrato do seu cartão, o tempo é o seu maior aliado. O primeiro passo é entrar em contato imediato com a instituição financeira emissora do cartão para solicitar o bloqueio temporário ou definitivo da via física e contestar a transação por fraude. Caso os golpistas tentem telefonar simulando uma central de atendimento para “resolver a contestação”, tenha cuidado: trata-se do perigoso golpe da mão fantasma para acessar sua conta remotamente.

Na sequência, registre um Boletim de Ocorrência detalhado na Polícia Civil e faça uma reclamação formal no Procon do seu estado para documentar o ocorrido. Se você realizou algum pagamento via Pix durante o processo, ligue imediatamente para o seu banco e solicite a devolução pelo MED (veja aqui como recuperar dinheiro golpe Pix passo a passo). De acordo com as diretrizes de segurança da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a prevenção por parte do consumidor é a ferramenta mais eficaz para evitar o prejuízo financeiro.

Perguntas Frequentes

Como contestar compra no cartão por golpe da falsa entrega?

Ligue imediatamente para a central de atendimento do banco emissor do seu cartão (número no verso do cartão) e solicite a abertura de contestação por fraude (chargeback). Informe que a transação não foi autorizada conscientemente ou que o valor cobrado diverge do acordado. O banco tem até 10 dias úteis para analisar a contestação. Enquanto isso, solicite o bloqueio da via física do cartão e a emissão de uma nova via com número diferente para evitar novas cobranças indevidas.

O que fazer se passar valor errado na maquininha do entregador?

Se perceber que o valor cobrado na maquininha foi superior ao informado, anote imediatamente o horário da transação, tire foto da maquininha e do comprovante (se houver) e entre em contato com o banco emissor do cartão para contestar a cobrança. Registre também um Boletim de Ocorrência e uma reclamação no Procon. Ativar as notificações push do aplicativo bancário é fundamental para identificar divergências de valor em tempo real.

Entregador de delivery pode cobrar taxa extra na maquininha?

Não. As principais plataformas de delivery (iFood, Rappi, Uber Eats) não autorizam cobranças adicionais presenciais via maquininha de cartão do entregador. Todo o valor do pedido, incluindo taxa de entrega, é cobrado exclusivamente dentro do aplicativo da plataforma. Qualquer cobrança extra feita pelo entregador fora do app é irregular e deve ser recusada pelo consumidor.

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